Visitas, por Victor Leandro

12/07/2020

Abre a caixa e estão ali motivos. Daí segue. É luminosa ainda a tarde a sua frente. O tempo está pouco fugidio.

Começa por perto. Inúteis ligações. Caixa de correio. Algo conta, mas perde-se. Tudo depois vai a contento. A estrada entretanto segue extensa. Tanto melhor ir adiante. Eis que são avenidas novas e gatos na frente, os quais pertencem a todos e a quem os cuida. Breve distância. Videoconferência.

Mas depois vem o calor para coibir os ânimos. Sol inclemente e café. Notícias de ontem. O morro que mora no traço do desenhista. Computador quebrado. Receio. Palavras jogadas ao lado de mais um gatinho. Filia. Tudo isso o que é, bem como o bebê que adormece as linhas do primeiro leitor. Nada sem máscara. Segue a pandemia.

De repente mais um que dorme, o correio fechado, o condomínio famoso, a patifaria Trump, o amigo ausente, o espelho da foto que não houve, os maus acontecimentos, a casa escondida. O mundo e a experiência no espaço de mínimas noites. Micro ou macrocosmo da intensidade subjetiva.

A caixa se abre novamente. Vazia. O trabalho está feito. A cada narração uma visita.

Resta agora esperar o que se disser. Mas não importa tanto. Os dias passam e permanecemos criadoramente vinculados. É para isso que vale a escrita.