Uma expressiva diferença, por Victor Leandro

09/06/2020

Como podem grupos que adotam práticas de cunho fascista aderirem ao fora Bolsonaro? A resposta é simples. Porque a deposição do antigoverno não é a mesma coisa que a queda do fascismo. Disso, a classe ultradireitista brasileira sabe muito bem, de modo que não é nenhum problema para ela pôr para fora o suposto presidente.

Assim, é um redondo engano identificar na família oficial o cerne da escalada nefasta que o país atravessa. Na lógica estruturada do fascismo no Brasil, Bolsonaro não é mais do que um mero subproduto grosseiro, um artigo mal projetado de última hora, que se coadunou com a mediocridade dominante da classe média e nisso conseguiu votos, porém que agora revela sua completa inoperância em levar adiante o ambicioso projeto das elites mais reacionárias. Logo, não é apenas conveniente, mas também necessário, que o antigoverno caia para que o fascismo possa voltar a ser implantado de modo amplo no país.

O fascismo projetado pelas elites para os tempos de hoje não é esse de terraplanistas com armas em clubes de tiro. Ele é muito mais sutil, abstrato, econômico, e por isso mais destrutivo. É o fascismo liberal.

Quando o nome Bolsonaro tiver sido removido da cena política, haverá ainda pouco o que comemorar. As estruturas fascistas da sociedade brasileira permanecerão intactas e presentes. Um grande esforço deverá ser levantado para destituí-las, e é preciso estar muito atento aos seus movimentos para seguir nessa frente. Por isso, estejamos cônscios. Não há nenhuma guerra próxima de ser vencida. Nossa luta está apenas no começo.