Um país kaftiano

18/02/2021

Não, não é nenhum absurdo. Está mais para a estupidez pseudoerudita de um ex-ministro. Um lugar estranho em que se tolera tudo com falsa ciência. A Terra deve ser plana e a vacina é um plano maléfico chinês. Distopia high tech youtuber com pitadas nostálgicas num pastiche de obra-prima.

Alguém consegue chamar isso de normal, novo ou velho? Tudo que impressiona é nossa capacidade de seguir. O indivíduo acorda e vê que o deputado preso por pedir ditadura se ampara na liberdade de expressão. Já o presidente infringe uma lei todo dia, debocha do vírus e do povo morto, faz pouco caso da doença e vende falsa cura, enquanto seus ministros fingem se preocupar com a falta de oxigênio. No caderno econômico, a notícia cansada é a de que só mais cinco reformas contra o povo e o país vai reagir.

E o que dizer dos vizinhos, que ao lado se calam agora pagando um fortuna por gás e gasolina? Que silenciam diante da corrupção, e não têm mais vergonha de mostrar que não passaram de fantoches em seus tempos de combate apolítico? Não se perde muito por ficar em casa e longe disso.

O que nos move agora, já não sabemos, mas fato é que aqui estamos. No pesadelo de fadas liberal, acostumamo-nos e vamos em frente. Mas até quando isso? Nossa loucura mais delirante é acreditar que ainda estamos num mundo plausível.