Um dilema para a educação, por Victor Leandro

17/06/2020

Há meses, os especialistas tentam dizer, sem muito êxito, qual a maneira mais razoável de retorno às aulas nas instituições de ensino, ao passo que se ampliam as pressões externas para a sua volta ao fluxo regular de trabalho. Sem saída, a opção que aparece perigosamente é a de iniciativas frágeis e muito pouco produtivas em termos educacionais.

Sem dúvida, não é um problema nada simples. De um lado, têm-se as questões sanitárias, bastante difíceis de atender plenamente. Verdade é que, mesmo que todos os critérios de prevenção sejam obedecidos, não há garantias de que o espaço da escola ou da universidade não se tornarão responsáveis por contaminações e mortes. De modo que é preciso pensar se vale realmente o risco, o que, a julgar pelo critério absolutamente prioritário de prevenção da vida, não deixa margem para dúvidas a esse respeito.

De outro, tem-se o compromisso educativo sério cada vez mais enfraquecido pelas opções de ensino não presencial, que enfrentam inúmeras dificuldades e resistências, que vão da ausência de métodos consolidados à inacessibilidade de estudantes aos meios virtuais. Tudo isso permeado pela sombra destrutiva da precarização do antigoverno e de grupos empresariais, que pretendem a todo custo implantar um falso modelo tecnológico, auferindo lucros maiores para si e uma redução de recursos para o setor, e que nada mais acarretará do que a ampliação do abismo entre a oferta de ensino e as metas qualitativas minimamente aceitáveis.

Diante desse autêntico dilema, cujas soluções não parecem de nenhum modo satisfatórias, talvez o mais plausível seja aguardar um pouco mais, e seguir os debates sem precipitação. De nada adianta impor uma suposta nova normalidade que apenas piore as coisas. O prejuízo dessas respostas pode ser muito maior do que manter ativas as perguntas.

Seguimos discutindo, na procura por caminhos razoáveis e produtivos.

Por uma educação sempre transformadora, pensemos.


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