Teoria do medalhão acadêmico, por Luana Aguiar

05/07/2020


Movidos pela ambição, vontade de se tornarem notáveis a qualquer custo e um extremo e execrável egocentrismo, muito se vê na academia os ditos pesquisadores inseridos no que se poderia chamar de uma teoria do medalhão machadiana à moda acadêmica. As pesquisas não passam de um recontar em si mesmas sobre teorias há muito discutidas, por muitos discutidas, que não trazem qualquer tipo de benefício fora do círculo daqueles que lhes parece tão aconchegante, dos tais doutores.

Há aqueles que, ainda, tão apaixonados pelo mundo acadêmico, assimilam as ideias de outrem sem qualquer filtro e se portam como se fossem seus pares, mesmo com uma ínfima experiência. Este que foi assimilado, por sua vez, pode ter feito o mesmo com outro anterior, e se investigarmos mais a fundo, pelo passado, difícil delimitarmos onde começou a barbárie do total descarte da opinião própria. O lattes é completo, cheio de publicações das mais diversas, organização de eventos acadêmicos, no entanto pouco se sabe sobre o que realmente pensam.

Janjão, jovem que acabara de atingir a maioridade no conto machadiano, "dotado da perfeita inópia mental", e que repete as opiniões alheias escutadas na esquina como se fossem suas, seria a representação perfeita para o perfil do pesquisador acadêmico aqui mencionado. Bom na arte da retórica, esse tipo consegue burlar até os mais minuciosos processos seletivos. Assim como o pai de Janjão o aconselha, adornam o estilo, empregam sentenças latinas, ditos históricos, máximas, "as frases feitas, as locuções convencionais, as fórmulas consagradas pelos anos, incrustadas na memória individual e pública".

Às vezes, reconhecê-los não é difícil, se nos predispormos de alguma reflexão, mas sim desmenti-los, visto a força e a publicidade que carregam em seu meio, junto a outros tão similares ou que almejam ser como tais. Infelizmente, não há muito o que fazer, cabe apenas virarmos a esquina contrária...