Teletrabalho, por Victor Leandro

10/04/2020

Por Victor Leandro

Em nome do lucro, precarizar é o lema. Se não pode ser explorado na empresa, que o seja da sua residência.

Engana-se redondamente quem acredita que estamos diante de uma alternativa cômoda e libertadora. Ao contrário. A uberização já nos ensinou que é plenamente possível manter e ainda intensificar as medidas de vigilância e exigências ao trabalhador por meios virtuais. Brilham os relatórios e demais instrumentos de controle produtivo. Nenhum passo é dado sem fiscalização.

Nesse cenário, os trabalhadores da educação talvez sejam o exemplo mais conspícuo. Sem nenhum treinamento prévio, e desrespeitando seus contratos estabelecidos, eles são obrigados a tornarem-se agentes tecnológicos e cinegrafistas, roteiristas e editores, além de cumprir de maneira redobrada as tratativas burocráticas de planos e chamadas. O suporte oferecido pelos empregadores é mínimo, e o resultado são soluções rocambolescas e sem sentido, como o controle de frequência por aplicativos de conversa.

Tudo isso movido pela ideologia moralista do trabalho a todo custo e da guerra pela educação, temperadas por discursos religiosos antilaicistas e alienantes. Ora, se há uma guerra, a palavra de ordem deveria ser salvar vidas, no que a tele-exploração não contribui com coisa alguma.

Também dizem que é preciso justificar salários, como se a pandemia já não fosse justificativa suficiente.

O quadro é terrivelmente grave e destrutivo. Resta, porém, uma saída. Essa é a revolução.

Adiante.