Sobre a práxis, por Bruno Oliveira

18/04/2020



É interessante perceber que um dos conceitos mais importantes em Marx tenha, de início, sido deixado de lado. Até mesmo entre os marxistas outros pontos da teoria eram preferíveis. Tal situação se explica muito por causa de publicações póstumas da obra do autor como é o caso de Teses Sobre Feuerbach e Manuscritos de 1844, entre outros, lançados na década de 30 do século XX, mais de 40 anos depois da morte de Karl. Nesses dois textos, Marx utiliza o conceito de práxis.

Mas o que é isso?

Tal conceito se relaciona com uma das questões mais importantes da filosofia: a relação do sujeito com o objeto. Na práxis, o sujeito se contrapõe ao objeto na tentativa de, em seu movimento, compreendê-lo objetivamente e moldá-lo, mas para que tal intento se torne efetivo o sujeito precisa lançar mão da teoria. Esta é que irá resguardá-lo fundamentando as suas decisões, superando os seus erros ou insuficiências.

"Ela dá conta da canalização das energias criadoras do sujeito na direção que lhe é imposta pelo desafio concreto da realidade objetiva. Com a ajuda do conceito, o conhecimento pode lutar para evitar os riscos fatais tanto do subjetivismo como do objetivismo (ou do determinismo mecanicista e do fatalismo)". *

Em outras palavras, a práxis é ação fundamentada na teoria.

Interessante ressaltar que tal conceito implica na necessidade de fazer o que se diz; de ser fiel ao seu discurso, mas é evidente que como qualquer ação do homem, as escolhas, as opções não são imutáveis, ou seja, estão passíveis de mudança, de revisões, de autocríticas.



*Konder, Leandro. Em torno de Marx / Leandro Konder. - São Paulo: Boitempo, 2010. (Marxismo e literatura), pág. 22