Sobre a Alienação, por Bruno Oliveira

21/04/2020

O trabalho como livre atividade criadora do homem encontra obstáculos para seu pleno desenvolvimento dentro do sistema capitalista. Aqui, aquilo que era para ser a sua humanização torna-se escravidão. As pessoas já não se identificam com o que fazem, já que são obrigadas a atividades opressoras. Em consequência, sentem-se estranhas para com o produto do seu trabalho.

O trabalhador produz bens que não lhe pertence e cujo destino lhe escapa as mãos. Dentro da ordem atual, o trabalhador possui apenas a sua força de trabalho (o seu corpo, intelecto, etc.) enquanto o capitalista possui toda as ferramentas, espaços, máquinas, fábricas. Em uma luta desigual, o trabalhador se vê obrigado a se submeter a esta ordem de coisas. Desse jeito, tudo o que o trabalhador faz não é seu e sim do capitalista. Como o produto não pertence ao produtor, aquele se torna um corpo estranho, hostil, a este.

A alienação é precisamente este fenômeno 

"pelo qual o trabalhador, desenvolvendo a sua atividade criadora em condições que lhe são impostas pela divisão da sociedade em classes, é sacrificado ao produto do trabalho"*.

 O capitalismo tende a transformar o homem em apenas um meio para a produção da riqueza do capitalista, em riqueza particular.

Ao invés do produto ser criado pelas demandas do produtor, essa ordem se inverte dentro das exigências do mercado capitalista, o que acaba ocasionando ao produtor ficar submetido a ordem dos produtos. Só os homens munidos da práxis podem superar essa ordem atual do sistema. 


* Konder, Leandro. Marx - vida e obra . São Paulo: Paz e Terra, 1999. pág. 35