Segundo turno em Manaus – apetite pela repetição, por Victor Leandro

19/11/2020

Não existe nenhuma diferença entre o segundo turno em Manaus e aquele disputado para o governo em 2018. Até em um dos nomes, temos posto um igual significante. No que interessa, as semelhanças são ainda maiores. De um lado, a figura mais emblemática e caricaturada da cena política local, e, de outro, uma proposta precária de renovação, porém ainda mais maldisfarçada por força do lastro e dos apoios políticos recebidos.

Logo, o cenário aponto para um quadro patológico de compulsão à repetição, que somente prova a tese psicanalítica de que há gozo no sofrimento. Contudo, vale lembrar novamente que a cidade já foi um pouco mais sadia. Nas eleições passadas, sempre se tentou buscar pelo menos alguma oposicionalidade, uma certa tentativa de fuga, apesar de quase sempre inglória. Para comprovar tal ponto, basta lembrar dos embates de 2004 até aqui em segundos turnos: Amazonino x Serafim, Arthur x Vanessa, Arthur x Marcelo Ramos (este, embora aí já não fosse um progressista, continuava à época trazendo traços de oposição na memória afetiva popular).

Todos esses sinais mostram que é preciso fazer algo. O movimento que aqui se dá não só é deletério, como também encontra-se em descompasso com boa parte das praças do país. Para tanto, de nada vale permanecer em argumentos simplistas, e sim buscar leituras conjunturais verdadeiramente transformadoras, e que coloquem a todos nós como parte da patologia e também de sua superação. Somente assim, é que produziremos uma visão de conjunto que nos guie para a real mudança coletiva.

Mas isso tudo são projeções a respeito dos atos do porvir. Por ora, o que há são esses socos em facas, e toda a tratativa de um declínio. Sem dúvida, é necessário crer que virão dias melhores. Só que não será hoje. Tampouco na hora de retornarmos às urnas mais uma vez. Na câmara do TRE, tudo que depositaremos é nossa desesperança.