Ruminações sobre o dia seguinte, por Victor Leandro

03/06/2020

Não é como nos filmes. A apoteose da libertação da quarentena não irá acontecer.

Nenhum remédio salvador surgindo e vindo tratar a todos. Também não há uma vacina que torne o mundo imune. Assim, as perguntas e respostas sobre o que fazer depois disso tudo ficarão em suspenso, tornando-se agradáveis porém ingênuas fantasias. Ninguém saíra por aí a abraçar os amigos, tampouco a dançar juntos no meio da chuva. A catarse da pandemia converteu-se em quimera.

De modo que, o que se pode afirmar é, não haverá dia seguinte. Será de novo o mesmo contínuo. Talvez um pouco mais calmo, quem sabe um tanto mais seguro, porém permeado dos mesmos cuidados e receios, das mesmas angústias e paranoias para quem é angustiado e paranoico, no que de qualquer forma todos terão de permanecer constritos.

A saída subjetiva, no entanto, permanece a mesma. É a ciência segura, é a serenidade da filosofia.

Não houve dia seguinte, não importa.

Repletos de amor fati, seguimos.