Roteiro de férias, por Victor Leandro

08/12/2020

A burguesia, cansada, pede as suas férias.

Também pudera. Meses e meses a moer e ser moída, a se encaixotar em embalagens pequenas, a tentar entrar na lógica do padrão.

Mas, qual o sentido do descanso?

Essa é a questão que Adorno nos coloca. Se vai ao turismo, então não há férias. Porque lá estão os meus signos, apenas escamoteados e disfarçados de prazeres. Seu tempo livre não é mais que uma dedicatória ao consumo.

Logo, sobra apenas o nada, dizem uns. É o que querem nos fazer crer os niilistas moribundos.

Porém, do outro lado da praia, uma transfiguração nos espera.