Reler Lênin, por Victor Leandro

16/07/2020

Nos cenários de crise de ação, é preciso voltar aos clássicos. Mas não para fazer trabalho de escola, e sim para interpretar o presente. Nisso, a análise deve aparecer como a estrutura de uma compreensão, que muitas vezes sequer é explicitada em si mesma. Quanto menos se a cita, mas é passível que ela se apresente no problema real. Do contrário, o que sobram são eruditismos.

No caso de Lênin, nada mais útil do que revisitá-lo para orientar-se na prática política de hoje, quando tudo parece perdido. Sua análise do reformismo, sua crítica radical das decisões meramente imediatistas são cruciais para desfazer os mal-entendidos que cercam aqueles que se preocupam somente com o que está bem a sua frente, perdendo o horizonte da revolução, bem como os que, sob o pretexto de se nomearem como autênticos revolucionários, esquecem-se do que seja de fato a transformação verdadeira, perdendo-se em formas de existência absolutamente improdutivas e inócuas, que mais servem para alimentar uma vaidade do que para produzir a vivência do comum.

Claro que nele há ainda um certo argumento de autoridade. Em última instância, sua palavra é legitimada pelos fatos. Afinal, ele fez uma revolução, ao contrário de nós. Então na dúvida, é melhor segui-lo.

De todo modo, o que fica mesmo é a grandeza de sua razão. Voltar a suas obras é encontrar novamente o caminho, no qual a teoria revolucionária age como força ativa. Sigamos firmes nisso. O mais são pseudointelectualidades para delirantes narcísicos.