Relativismo e cretinismo, por Victor Leandro

11/08/2020

Há argumentos que parecem ser legitimados por uma tradição, mas estão muito longe disso.

Agora, por exemplo. Virou moda falar em negacionismo. Porém é preciso lembrar que este não constitui nenhuma forma elaborada de pensamento, e sim pertence à problemática da psicologia. Uma atitude que não passa pelo crivo da razão. Logo, não cabe discutir sua validade intrínseca.

Mais complicada é a questão do relativismo. Há quem diga que o suposto presidente é um dos seus adeptos. Uma grande mentira, pois o relativismo é uma refinada posição, iniciativa séria a ser discutida em uma epistemologia.

Marx, por exemplo, era considerado em muitos pontos, um relativista. Isso significa dizer que ele acreditava que as verdades deveriam ser postas em relação, no caso, com o movimento da história. É somente nesse prisma que sua acuidade poderia ser comprovada, no que marcava-se sua oposição ao absolutismo. Claro, este é um debate que possui frentes ainda em aberto, mas nunca pode ser considerado desprezível.

Já o que se tem hoje pronunciado, principalmente para encobrir a omissão e o caos homicida pandêmico, não é mais do que um falsete, uma verborragia, uma tagarelagem oportunista, que nada têm a ver com conhecimento ou saber, a menos que o cretinismo também tenha virado uma doutrina.

Assim, fiquemos com isso. Não se pode dar lastro a algo que é apenas pontual delírio.

Do contrário, nada se discute. Vence a estupidez e a gritaria.