Reabrir Manaus, por Victor Leandro

26/05/2020

Claro, não é uma questão simples. Difícil imaginar quem hoje esteja satisfeito em não sair de casa nem para um passeio. No plano subjetivo, a angústia inevitavelmente cresce, bem como no social ascendem os riscos por conta de uma população abandonada e desassistida. Assim, o debate é mais do que pertinente.

Contudo, o problema está na organização desse discutido. Como num mau silogismo, o raciocínio parte das premissas erradas, que asseveram a preponderância do econômico. Este, guiado pela mais-valia indiscriminada, não diz nada além de que a economia não pode parar. E dessa maneira ignoram-se os avisos científicos que dão conta de que um novo pico no número de casos na cidade está por vir no começo de junho.

Que fazer então? Longe de querer aqui incorrer na mesma falha dos financistas. A única posição razoável seria elaborar um grande fórum popular a ser ordenado a partir da comunidade científica, a qual, com ampla publicidade do poder público, demandaria de maneira irrevogável as condições mínimas necessárias para uma possível reabertura, depois do que a sociedade seria capaz de responder se tem meios para cumprir ou não os requisitos, para só assim reabrir o que for possível. Dessa maneira, teríamos não só um articulado conjunto de ações, como também conduziríamos os indivíduos para um maior esclarecimento.

Contudo, à luz do quadro vigente, tais respostas, apesar de óbvias, soam irrealistas. Mais provável é que as decisões sejam tomadas por grupos de marqueteiros. Quanto ao povo, este que fique à mingua, e que seja entregue em sacrifício ao mercado e ao dinheiro. É isto o que o decreto oficial inclementemente nos avisa.


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