Protesto antifascista em Manaus - trinta dias depois, por Victor Leandro

03/07/2020

Há resultados estratégicos que ameaçam cair no esquecimento, a menos que sejam examinados em bom tempo. De igual maneira, suas conquistas, se não identificadas e discutidas, acabam minimizando o seu potencial e transmitindo a sensação de que nenhum êxito tem sido conseguido, o que obviamente desmobiliza e só favorece as forças já constituídas.

Assim, cabe aqui retomar, um mês depois, o que se deu após o ato antifascista em Manaus, o qual foi fortemente contestado à época como recurso de luta por algumas frentes esquerdistas.

Primeiramente, é necessário dizer que o tão alardeado medo de produzir foco de disseminação do vírus não se concretizou. Não há qualquer rastro de que tal tenha ocorrido, o que somente reforça a certeza de que, preservadas as normas sanitárias convenientes, tais eventos são possíveis de se efetivar com segurança.

Já em termos políticos, as certezas de que a decisão tomada foi correta são maiores. O ato realizado aqui juntou-se a uma série de outros que, em voz uníssona, fizeram recuar nas ruas as alas reacionárias, as quais, intimidadas, deixaram de propagar a si como sendo a voz do povo. No Planalto, os efeitos foram ainda mais sérios. Acuado, o não-governo assumiu uma postura tímida, deixando de propagar inúmeras de suas práticas e discursos que espalhavam no país um clima de legalidade para toda sorte de gesto fascista. Agora, o campo da democracia parece voltar a fluir.

Alguns dirão que é um exagero atribuir tais feitos aos protestos. Que na verdade foram as ações da justiça que enfraqueceram as atividades oficiais. Mas, teriam elas sido praticadas se não encontrassem nos atos o respaldo público para leva-las adiante? Eis o ponto que nos favorece e nos faz pensar na relevância de nosso gesto.

Passado um mês, e sob uma análise atenta, é válido dizer que as manifestações foram sim, uma vitória, e que se firmaram como uma alternativa correta. Ampliemo-la, e encontraremos o caminho para avanços ainda mais produtivos. Esta é a forma adequada para pôr fim à proliferação do fascismo.