Profilaxias, por Ângela Fonseca

03/06/2020


Não compartilhar fake news e lavar as mãos são ações diferentes, porém são atitudes de sobrevivência, especialmente em tempos de vírus circulando com tanta rapidez. As informações mentirosas ou falsas são transmitidas tão rápido quanto o corona vírus. Infelizmente, assim como a COVID-19 atinge a maior parte da população com menos condições financeiras e mais carentes de saneamento básico, as fake news têm poder de convencer as pessoas mais suscetíveis e que possuem como fonte de pesquisa apenas as redes sociais. No entanto, essas mentiras disfarçadas de notícias também podem alcançar pessoas que tiveram mais acesso à educação e a outras fontes de informação, já que o conteúdo está atrelado em sua maior parte ao viés político e os textos dessas "notícias mentirosas" estão evoluindo cada vez mais tornando-se persuasivos, "sofisticados" e emaranhados assim como um vírus que vai fortalecendo sua linhagem e ficando cada vez mais difícil de combater.

No Brasil, as fake news sempre estiveram presentes durante toda a história, o que mudou foi a nomenclatura, a forma de propagação, a divulgação e o potencial que o material falso atingiu recentemente. Passamos também por epidemias, graças à Ciência, descobriram as vacinas. Em um passado não muito distante, no dia 30 de setembro de 1937, os ouvintes do programa de rádio Hora do Brasil foram surpreendidos com o anúncio de um plano que detalhava um " golpe comunista contra Getúlio Vargas" (se lembrar algum fato da atualidade, não é coincidência). Os direitos constitucionais foram suspensos (isso mesmo, arbitrariamente). Era uma farsa criada por Olímpio Mourão (sobrenome que vem a calhar), ex-general do Exército brasileiro, para garantir a permanência (ditadura) de Vargas no poder e o estabelecimento do Estado Novo (Ditadura Varguista). Por conta dessa fake news histórica, mataram a democracia, e junto a ela, muita gente literalmente morreu também. Graças às pesquisas históricas e após muitos estudos, algumas farsas no Brasil já foram desmascaradas, assim como muitas vacinas já foram criadas para proteger o povo de outros vírus.

Criação de notícias falsas sobre planos comunistas para dominar o Brasil, difamação de personalidades e pessoas públicas, tentativas de convencimento para que haja mudanças na opinião pública com objetivo político, fraudes financeiras, campanhas para destruir a imagem de empresas ou produtos, distorção dos objetivos de alguns programas educacionais, são alguns dos prejuízos maléficos causados pelos textos mentirosos viralizados nas redes sociais.

E a cura? Por recomendação da Ciência, para evitar o contágio pelo corona vírus, devemos evitar aglomerações, ter cuidados com a higiene de forma redobrada, lavar sempre as mãos e usar máscaras. Para evitar a disseminação desenfreada de mentiras nas redes sociais, porque mentiras também matam, não devemos jamais compartilhar alertas de sites desconhecidos, precisamos ler todas as notícias do início ao fim, checar as fontes e fazer uma análise crítica, ter a consciência que e-mail, whatsapp, twitter e as demais redes sociais não são um meio confiável ou o mais apropriado de divulgação em massa. Usados dessa forma, esses meios de comunicação agem como a fofoca e boato, só que em uma condição incomensurável, mais dissimulada e muitas vezes letal e criminosa.