Poemas de Aprendiz - Véu da incerteza, por Sofia Santana

07/06/2020

Um poema-protesto da estudante Sofia Santana


Pairando sobre nós de repente

um véu de tecido transparente,

ainda não sabe-se de onde aparece,

- mas logo verão

que este é o olho do furacão,

e você deveria começar sua prece.


A incerteza é a única certeza.

Fugindo daquilo, fugindo disso.

Do que adianta agora?

Aquele antigo abrigo,

põe-te diante de teu pior inimigo.


Mas o que é isso?


As cinzas estão por todo mundo.

A despedida, um sofrimento profundo.

Transparente, o véu toma cinza como cor,

esta representa a pandemia.

E nessa época de empatia

tem muitos contra o nosso favor

e os que lutam por nós

outros querem tirar a voz.


E nesse Brasil é ainda mais difícil.

Onde o presidente

bota o país a jogo,

não falando pelo povo.

Ele não sente pela gente.


Disse que era apenas histeria

de uma gripezinha,

em que "só velhos morrem".

E para os falecidos a mensagem

"É o destino de todo mundo".

"O Brasil não pode parar."


País onde todos têm as mesmas oportunidades,

onde todos têm os mesmos privilégios.

Se você tiver classe média no mínimo, é claro.

Os miseráveis são a "minoria",

logo serão descartados.

Porquê nosso país é justo.


Cadê a fraternidade?

Nasce pobre não merece oportunidade?

Por que pobre não merece consideração?

O que não falta é ambição,

mas que tal igualdade

e menos discriminação?


Mas a mais antiga novidade

tem uma nova vítima negra na sociedade

O preto do véu, manchado de sangue.

Mais um número por pura irracionalidade,

Porque a cor deles seria vulnerabilidade?

Durará até que os extingue?

Começou mais um movimento,

eles precisam conhecer esse sentimento.


Eles não merecem menos.

Isto está enraizado

e precisa ser modificado,

eles não são inferiores

pelo passado de seus antecessores.


Uma causa justa.

O negro merece proteção

assim como o branco tem sem contestação.

Essa luta é de todos,

não espere a dor

para lutar a favor.


E o que acontecerá depois? Não sabemos,

Estamos perdidos por natureza,

este véu nos cobre de incerteza.

Condenados, esperamos.