Poemas de Aprendiz - Dias de pandemia, por Davy de Souza

21/06/2020

Vi a pandemia virar comércio,

Vi a utopia do mais velho,

Vi a ignorância do mais novo,

Vi a tristeza de um povo.


Entre a cura, e a doença,

Entre a guerra e a paz,

Entre senhores de terno,

E a negligência de hospitais.


Disseram-me para ficar

E pela minha família eu fiquei,

Disseram-me para lavar,

E a máscara eu coloquei.


Não saio de casa, ótimo!

Mas pensando em si,

E não no próximo.


Por ter onde ficar feliz,

Lá fora, não me convém.

Mas me pergunto,

E quem não tem?


Estava na calçada,

Quem não é visto,

Era azul, hoje é cinza,

Mas a poesia, eu vi que pinta.


Aonde vai, quem não tem onde chegar.

Sozinho não tem em quem pensar.

Ele teme por si mesmo a luz da lua,

Sozinho, o morador de rua?


Sei que dentro do meu eu

De esperança um sentimento,

Após a peste negra,

Há sempre o renascimento.


Não precisa ser um Martin.

Talvez um pouco de solidariedade

Apenas faça sua parte!

Juntos, como uma sociedade.


Todos merecem a proteção,

Todos fazem parte da nação,

Todos estão na mesma estrada,

A todos, fiquem em casa!