Poema: Fardo, por Felipe F. Oliveira

09/06/2020

Estou aqui trancado, jogado, esquecido no quarto...

Meu povo sangra, chora, morre de fome em silêncio...

A mídia joga, esfrega e vende o sangue dos vários...

Foram os amigos, os pais, avós todo um sentimento...


O coração está apertado o ar está cada vez mais tóxico...

Sinto medo, revolta daqueles que propagam o ódio....

Cospem honestidade, bondade e um nome santo...

Porém apoiam um pensamento oposto desse canto...


O Brasil está sangrando desde sua descoberta...

Roubaram os índios, tomaram a terra...

Disseram que era o tal progresso, a tal evolução...

É nada, era só o começo da famosa corrupção...


Estou no centro do pulmão do mundo agora...

Estão morrendo com os pulmões inflamados em volta...

De um lado morre a vida humana depressa...

Do outro queimam no caos a floresta...


Oh meu Deus o que me resta?

Colocar em poucas linhas essa tragédia...

No futuro se houver irão dizer...

Esse poeta sofreu ao escrever...


O meu país é um paraíso em riquezas naturais...

Só que governado pelo algoz dos meus ancestrais...

Em falas mal ditas provoca o Vírus e propaga o ódio...

O resultado é centenas de enterros sem velórios...


Enquanto uns pedem "salve" a economia no conforto...

Outros morrem no aperto do barraco do lado do esgoto...

Ninguém viu a dona Raimunda morrendo agonizando....

Ninguém sentiu a dor do pobre humilhado em prantos...


Ainda estou aqui com fome e jogado...

Isso foi só um grito calado...

Um fluxo poético em meio ao genótipo caótico...

A luz demora, não sei por quanto vou aguentar esse fardo...


Fardo, fardo, fardo....