Percurso da não-experiência, por Victor Leandro

05/06/2020

Quando Theodor Adorno passou a elaborar sua crítica ao que denominou indústria cultural, formulando um dos conceitos mais caros à análise dos fenômenos da cultura de massa, muitos celebraram o que seria uma ação crítica contundente contra o enfraquecimento dos valores cultivados e aperfeiçoados pela humanidade ao longo de séculos. Outros, adeptos do pluralismo, viram uma reação tardia e antiquada às transformações ocorridas no mundo contemporâneo, que já não seguia mais a cartilha dos velhos aristocratas. Envoltos nesse debate, não são poucos os que não percebem que, para além das querelas que envolvem os dois grupos acima, a análise de Adorno revela que uma outra marca fundamental humana está sendo ameaçada

Esta se explicita em seu debate acerca da educação, em que defende a formação para a consciência emancipatória: "pensar é o mesmo que fazer experiências intelectuais". Assim, recusar o pensamento é negar-se também a um leque infinito de possibilidades empíricas. Mas o filósofo vai além. Ele não vê somente o perigo da perda dos experimentos intelectuais, e sim também da própria experiência como um todo, por meio da homogeneização cultural promovida pelo capitalismo alienante.

(...)

Para continuar lendo, faça o download: