Paulo Guedes e os delírios solipsistas do burguês, por Victor Leandro

20/05/2020

Muitas vezes passa, sem grandes alardes, a mentalidade turva de Paulo Guedes. Sua aura de Chicago Boy confere-lhe um falso ar de imunidade à estultice. Mas não. Comparado à ala olavista, ele é tão tosco ou até pior. Apenas o que lhe sobra é a boa vontade e a lenta inteligência do mercado e da imprensa cupincha.

Recentemente, o maior dos seus devaneios encontra-se em destratar o serviço público e a população pobre, dando declarações moralistas a respeito de aumentos salariais e auxílios. Diz que prêmio só se dá depois da guerra, e que povo ganhando bem - r$ 600 - não vai querer voltar ao trabalho no país. A superficialidade desses comentários é tão evidente que não fica muito o que discutir. Se colocados numa mesa de botequim, vai faltar apenas o fora PT e a camisa da seleção brasileira.

Mas o que é realmente grave nessas declarações é a atitude denotada pelo ministro e todo o antigoverno a respeito da coisa pública. Em sua conduta, demonstra-se exatamente a confusão em que a gestão governamental se tornou, totalmente dobrada aos interesses mais limitados e ímpetos personalistas. Ora, decidir pelo aumento ou não dos trabalhadores não tem nada a ver com prêmio individual, e sim com uma política integrada de valorização e qualidade do serviço público. De igual maneira, nenhum direito social é medido pela reação subjetiva dos beneficiários, e sim por sua efetividade quanto aos fins para que se apresenta. Desse modo, quando se ignoram tais princípios e se condiciona tais ações a um jugo nada republicano, o que se explicita é que elas passam a depender de juízos arbitrários e sem objetividade daqueles que acreditam que o Estado deve subordina-se a sua visão de mundo, numa conduta que, em outras áreas, desemboca em aparelhamentos como o que vem ocorrendo hoje na Polícia Federal.

Voltando a Paulo Guedes, o que é necessário dizer-lhe é que o Estado não se interessa pelo que ele pensa particularmente, que ele não é patrão nem paga o salário dos servidores, tampouco estes devem agradá-lo para obter proventos. Quanto ao povo, talvez a única resposta válida seja colocar todos os financistas sanguessugas para fora de seus ricos escritórios.

O Estado não é um juízo de gosto. O que vale ali é o interesse público. Tudo o que não disser respeito a isso deve ser excluído como irrelevante.

Usando dessa lógica, deve cair mais um ministro inútil.

Ainda assim, permanecerá o antigoverno.