Os intelectuais e o vírus, por Victor Leandro

14/05/2020

Primeiramente, é preciso desfazer os mal-entendidos que giram em torno da figura do intelectual. Este não é, pelo menos sob a ótica marxista, uma figura etérea e destacada do restante da humanidade. Assim, não é válido, como fazem alguns, renegar seu papel em nome de uma pretensa postura antielitista. Ao contrário, o que se precisa é conclamá-lo a assumir sua função. Um acadêmico é um intelectual em potência. Um professor de educação básica é um intelectual em plena tarefa de publicizar o conhecimento. Se não se veem ainda como tais, o que é necessário é mostrar-lhes a natureza de sua praxis e convidá-los ativamente a atuar com força no lugar que ocupam.

E o que lhes cabe fazer durante a pandemia? Sobretudo, assumir o trabalho de esclarecimento e propor saídas intelectivas para os impasses que se apresentam. Obviamente, são muitos os meios pelos quais pode fazê-lo. Entretanto, há que se considerar que a escrita é, por sua natureza articulada, um dos mais efetivos deles, e o que mais pode servir de orientação para quem quiser compreender o presente no futuro.

De qualquer forma, o que vale destacar é que manifestar-se publicamente e oferecer ideias para o intelectual, principalmente em tempos excepcionais como este, não deve ser um passatempo, e sim uma missão. É algo que ele precisa impor como tarefa e cumprir de modo diligente, a despeito de todos os entraves coletivizados e subjetivos. Sem essa atividade, o seu sentido social se perde, e sua categorização passa a ser não mais que um rótulo agradável para pedantes.

Um operário dos saberes, constantemente disposto a cumprir sua jornada com afinco. Nada de inspiração ou espera por ânimo. Essas veleidades são desculpas de burguês. Ligue a máquina e escreva seu texto. Isso é o que exige o trabalho sistemático que assumiu como ofício.