O trágico, o néscio, o imbecil e o filistino, por Victor Leandro

15/04/2020

Há pelo menos quatro categorias, dentre aquelas que estariam em condições de não lançar-se às ruas, de sujeitos que enfrentam abertamente o vírus e suas consequências.

A primeira são os trágicos, no sentido grego-nietzschiano. Os que conhecem bem os perigos que correm, contudo, em nome de uma tarefa maior, encaram-nos e cumprem seu destino. São todos os trabalhadores que, nesse momento de exceção, arriscam-se para permitir que o mundo não desabe por completo.

A segunda são os néscios. Com pouco acesso à informação e suscetíveis ao discurso do antigoverno, não têm defesas contra os ditames manipulatórios oficiais, deixando de lado as necessárias precauções. Suas posições se modificam apenas quando constatam a gravidade do problema de forma empírica, normalmente através do seu adoecimento ou de algum de seus próximos.

Já a terceira é o imbecil. O fanático aberrante, em geral da classe média, que dispõe de todos os meios e dados para proteger-se, porém não o faz em virtude de seu inevitável fascismo e estupidez, colocando sob um risco desnecessários não só a si, como também todos que o circundam. É a massa propulsora do estado obscurantista em que estamos.

O quarto é o filistino, o irascível burguês. Não se expõe como os outros, mas segue atuante. Tem ciência do que ocorre, no entanto se interessa tão só pelo dinheiro, aproveitando-se das fragilidades dos demais par ampliar sua riqueza. É o responsável pela exploração estrutural que nos assola e progride, mesmo nesse momento de crise humanitária. Um antípoda do povo e aliado da morte como lucro.

Essa quarta categoria é a que nos governa hoje. Contra ela, é preciso voltar-se com dedicação, pois é a partir de seu declínio que pode desmoronar o edifício de iniquidade que ora se ergue imenso. Seu combate é o sentido presente de nosso objetivo político.

Vamos adiante.