O protesto e a bandeira, por Victor Leandro

02/06/2020

Não adianta só protestar pela causa certa. É preciso fazê-lo também do modo correto.

Ou vejam o que ocorreu em 2013. Parecia muito adequado ir às ruas. Porém, tudo isso resultou numa triste virada à direita. O protesto, em si, não é nada sem direção. É no sentido posto que se gera o seu real desígnio.

Hoje, no limiar de um novo momento de levante democrático, surgem mais uma vez iniciativas assépticas que visam recobrar os mesmos signos. Pregam o suprapartidarismo e a ausência de direto conteúdo partidário-político, como se a oposição antifascista não tivesse rumo autêntico tão somente à esquerda. Inibem a presença de bandeiras, como se isso não fosse contrário à democracia. Uma verdadeira farsa para impor novamente as linhas direitistas.

Porém, agora, sem dúvida as coisas são diferentes. Ninguém pode dizer que não foi avisado pela história. As coisas só ocorrerão desse modo se a oposição assim o permitir.

Não é tempo de omissão, e sim de comprometimento. É imperativo que a esquerda se assuma como protagonista do antifascismo, e que erga sua bandeira e construa sua ordem de reivindicação. Quem for pelo povo, que venha. Aos demais, que falem sozinhos com seu liberalismo pseudomoralista. As causas populares são as que devem prevalecer. Reúnam-se suas vozes, e veremos que não há quem cale seu ímpeto de luta. O socialismo precisa ser a palavra do futuro adiante. Vamos em frente.