O momento da revolta, por Victor Leandro

21/01/2021

Já nos falou Albert Camus sobre esse instante irrevogável em que depois de tantas ignomínias dizemos não, que não podemos mais nos calar ou tolerar todas as ofensas e desgraças por que passamos. Surge daí a revolta, a qual, diferentemente de uma simples raiva individual, possui sempre um sentido universalizante, uma vez que se volta contra a situação básica de opressão do sujeito, alterando, assim, o estatuto de toda a sua classe.

O revoltado quer mudar a si ao mundo, e, agora, é disso que precisamos. O instante de transigir já passou. A agressividade dos algozes chegou ao nível de morte. Contra isso, tudo o que podemos e levantar nossas vozes e corpos até que debelemos inteiramente o que nos reprime. Gritar fora, pôr para fora, promover a dissolução clara daquele que se propôs ser o inimigo.

Sim, chegou o dia de não mais hesitar. A população agoniza nas casas e pede urgência. Cada minuto perdido também é uma vida desaparecida.

Que, de agora em diante, toda lágrima, tristeza e indignação se converte em fúria revoltosa, rumando para ação decisiva. E que caiam de imediato Bolsonaro e sua súcia. Esta é a ordem da rebeldia assumida.