O lobo do homem, por Victor Leandro

08/05/2020

O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente, já dizia o velho barão.

É exatamente dessa febre que sofrem os comandantes verde-oliva. Longe de poderem ser tomados por insipientes, eles sabem que acabou há muito o antigoverno que sustentam. Porém, não é tanto essa realidade que os perturba, e sim as consequências de a assumir. Proferi-la aos quatro ventos significa colocarem-se mais uma vez para fora do tentador centro do poder, cuja capacidade de sedução tem meios de suplantar qualquer melhor juízo.

No entanto, o que eles não percebem, porque provavelmente não leram Baudrillard, é que o poder não mais existe, não está mais ali. O que sobrou dele é tão somente uma simulação, pálida lembrança de gloriosos tempos passados. Com isso, o que lhes resta é assistirem aos pactos nada decorosos do suposto presidente com as conhecidas figuras daquilo que se convencionou chamar velha política, da qual ele mesmo faz parte e que renegou provisoriamente apenas para fins eleitoreiros.

Sim, o poder corrompe, e o homem é o lobo do homem. Porém, quanto mais agressivo é o lobo, mais fantasmático e espectral ele se torna. Nessa hora, é chegado o momento das raposas sorrateiras.

É o ciclo pandêmico da república.