O chamado das motocicletas, por Victor Leandro

02/07/2020

Não, não é só deles, é de todos nós o problema. Suas necessidades gritam a dizer que o trabalho definha e a exploração avança. O oponente, mais uma vez, não é a máquina, não é o aplicativo, e sim o CEO escondido sob uma pose de modernidade e bom-mocismo. Por trás dela, a má e velha degradação implacável dos mais pobres.

E o que reivindicam? Impressionante imaginar que precisam ir às ruas agora para exigir o que antes lhes era imediatamente de direito. Auxílio alimentação, seguridade social, salário minimamente digno. Tudo aquilo que se via obrigatório ser conferido ao trabalhador e que foi solapado pelo liberalismo Temer. O retrocesso corre a olhos vistos e marcha rumo à fome.

Alguns, em profissões mais seguras, ainda insistem em dizer que não têm nada com esse assunto, que eles que lutem para atingir seus objetivos. Claro, é exigir demais deles uma consciência solidária. A estes, o mais provável é que aprendam a sensibilizar-se somente quando a precarização do trabalho atingir suas carreiras, o que muito em breve deve vir a ocorrer. Nesse momento, é que saberão que estavam diante do espelho do seu futuro.

Ou, contra esse movimento destrutivo, podem atender hoje o chamado das motocicletas. Façamos uma só voz o grito de todos os oprimidos. Nada pode o burguês contra a força dos trabalhadores em luta.


imagem - https://www.uol.com.br/tilt/album/2020/07/01/greve-dos-entregadores-em-todo-o-brasil.htm