O banal e a história, por Victor Leandro

07/01/2021

Antigamente, na verdade não faz muito tempo, embora pareça para nós ter sido em outra civilização, quando se olhavam as grandes catástrofes mundiais nos livros de história, era comum que pensássemos como seria terrível ter de passar por elas. Pois é exatamente num capítulo de manual que agora em Manaus nos encontramos no presente momento.

Contudo, algo nos soa estranho. Porque o sentido drástico não parece tocar com deveria. A rigor, afora os mais diretamente afetados e outros raros, todos seguem suas existências razoavelmente tranquilas, como se nada disso os convocasse para uma outra ação. À maioria esmagadora, o lanche da tarde continua sendo a preocupação do dia.

Eis aí a grande vitória do real fixado no cotidiano sobre a magnitude de nossa percepção. E tome a indústria cultural a oferecer-nos a doença como espetáculo televiso. Também o suposto presidente patético. Também a estupidez antivacina.

E assim ficamos, habituados à perversidade medíocre. Nada de grandes carrascos. A banalidade do mal triunfa a olhos vistos.

No baile clandestino, os gritos celebram a miséria da história. Triste política.