O aparecer do sujeito e os modos de relação, por Victor Leandro

24/11/2020

Toda interação entre pessoas é relacional, e está condicionada pelos elementos do seu aparecer, dos seus códigos próprios, das vias de realização do evento.

Segue, daí, que esta se dá por singularidade, e somente nela pode ser interpretada. E é dessa maneira que se torna aceitável que dois indivíduos tenham visões tão diferentes a respeito de um outro.

Obviamente, existe o real, ou o chamado mundo dos fatos. Porém estes não falam por si a nós. Ora, se os afetos com que lidamos se efetuam no trato simbólico, é numa representação que eles irão se estabelecer, o que significa que sua apreensão se faz num plano interpretante, que só pode ser demarcado mediante um contexto, o qual precisa ser verificado objetivamente, ou seja, de maneira autônoma quanto aos envolvidos em questão.

Tem-se, dessa forma, que apenas no pleno domínio da situação encontramos uma proposição válida em geral sobre quem quer que seja. Para além disso, existem somente parcialidades, visões limitadas do acontecimento fugidio, que implicam julgamentos precipitados de caráter e de ontologia.

Ou, em outras palavras, para ter juízo de algo, é preciso suspendê-lo, e considerar as múltiplas ligações em jogo.

Sem estar nesse plano, o que há é nosso próprio falibilismo.