Novo decreto pandêmico no Amazonas – moralismo e adivinhação, por Victor Leandro

28/09/2020

Não é nada oculto, está bastante evidente, até uma criança pode saber. O problema da pandemia não é o bar, não é a dança, nem a música, muito menos a flutuação. A questão toda é não estar aglomerado. Por isso fecham-se os lugares. Por essa razão mantêm-se abertos apenas os serviços mínimos.

Contudo, esse não é o pensamento expresso do governo. Para ele, é tudo culpa do pecado. Quem vai para farra torna-se digno de contaminar-se. Já nas escolas e igrejas não existe nada disso, pois suas práticas são motivo de orgulho. Logo, aglomerar-se ali não causa perigo algum à população.

Para afirmar isso, obviamente, faltam provas, mas sobram adivinhos. Nenhum estudo sério apresentado. Apenas as vendas nos olhos que ignoram quase dois mil professores com o vírus. Estes, por certo, protestam apenas porque se recusam a trabalhar. Já os empresários são ouvidos e recebem afagos. Estão se esforçando muito, esses baluartes da economia.

Sim, o decreto é novo, mas seu pensamento bastante antigo. Ideologia, moralidade e superstição, em plena era do primado científico. Apoteose da medievalidade - ou será do lucro? Os escolásticos ao menos tinham uma desculpa.