No tempo do PT, por Victor Leandro

13/05/2020

A maior prova de que as coisas pioraram e muito na política do país está no episódio do vídeo em que o suposto presidente atenta contra a autonomia da PF e outras instituições. Fosse à época do governo do Partido dos Trabalhadores, ele já estaria sendo destrinchado a gosto pelo Jornal Nacional e outros periódicos. Agora, o que há é apenas um rito moroso e protetivo que nada mais faz do que confundir a opinião pública em favor das figuras do antigoverno.

Provocações à parte, e colocando em retrospectiva, é interessante pensar como os governos Lula e Dilma têm melhorado a cada dia. Se antes olhávamos o primeiro com ressalvas por excesso de complacência com a burguesia e o segundo irritados por sua grande inépcia, hoje, diante da desarticulação ultraliberal completa em que estamos e do dólar a quase r$ 6, as observações anteriores soam como uma piada de resmungões. Incrivelmente, as memórias que nos chegam dizem que estávamos muito bem, e que o erro maior foi não termos aproveitado mais o momento. O golpe de 2016, mais do que um estranho gesto politiqueiro, ganha ares de uma desgraça apocalíptica.

Certo, a memória constantemente nos trai, e a nostalgia é um vício terrível. Porém, os números estão aí para confirmar nossas fantasias. Até para protestar éramos mais satisfeitos, posto que o fazíamos libertos e com grande parte do país com suas geladeiras cheias.

Agora, o que nos resta é isso. Um festival de mentiras grosseiras e reuniões infames. Nem vazamentos no jornal existem mais para nos deixar entretidos. Também a graça de falar mal da presidência acabou. O assunto é sério demais para tornar-se um passatempo. Nossa revolta nem mesmo encontra palavras para o dizer. É uma época para afetos duros e doridos.

E faz sim, muita falta, rir enquanto falamos mal dos governantes na TV.

Bom mesmo era reclamar no tempo do PT.