Não governo Bolsonaro e a volta ao porão do centrão, por Victor Leandro

08/10/2020

É precisa muita atenção para deslindar a aleatoriedade das ações do Congresso. Porque não há projeto. O próprio fascismo ali, que por vezes é protuberante, passa por momentos de encolhimento, estando reduzido mais a opiniões e iniciativas individuais que a atos sistemáticos. Aliás, é a falta destes que causa toda essa confusão. Ao contrário do que se pensa, destruir o Brasil não é uma meta diligentemente seguida. Resta apenas como conseguinte da estupidez.

Contudo, nesse instante, algumas linhas parecem delinearem-se com mais firmeza. E são óbvias. O suposto presidente simplesmente está voltando ao que sempre foi: um subproduto do centrão. Foi dessa forma que ele se alojou em mandatos contínuos por 30 anos, no que só foi interrompido pelo nivelamento por baixo da política brasileira que o permitiu alcançar o mais alto cargo do país. Porém, suas características básicas, que por um momento foram ocultas por discursos reacionário-liberais de ocasião, permaneceram intactas, e passam a ressurgir com toda a sua força.

Bolsonaro nunca foi um extremista apaixonado, muito menos um liberal convicto. Ao longo de sua trajetória, tudo o que fez foi tentar sobreviver no conforto de suas regalias em cargos públicos. Não que não defenda a tortura, a liberação das armas e afins. Todavia, entre estas e a própria pele, por certo que optará pela segunda causa. Essa é a grande lição dada pelo baixo clero, para quem a política é a arte de manter um bom emprego por um longo período.

Mas que não nos enganemos. Do ponto de vista nacional, é provável que venham tempos ainda piores. Ao contrário do falso mandatário, as raposas velhas do parlamento têm um plano. O Brasil será vendido mais rapidamente agora, sob os auspícios do mau e velho democratismo fisiológico. E a fome aumenta. E assim morre-se um país.