Moralismo, estágio superior do capitalismo, por Victor Leandro

29/10/2020

Para todo moralista, combater somente as práticas sociais destrutivas da coletividade não basta. É preciso produzir espíritos puros, imaculados, repletos exclusivamente no seu íntimo de ideias elevadas e boazinhas.

Por conta disso, é que surgem as perseguições, os cancelamentos, o desejo irrefreável de excluir, os quais atingem os indivíduos indiscriminadamente. Assim, mesmo o mais combativo defensor da igualdade pode, por uma frase ou um gesto isolado, ser jogado ao calabouço, e lá ficar preso para sempre. Porque não tem a alma limpa. Porque em seus recônditos há resquícios do mal terrível.

Nesse ponto, é que se acena a vitória mais estável do mundo do capital, que dessa maneira desagrega as articulações e as lutas. O sujeito A não aceita o sujeito B, porque este um dia agiu de tal ou qual maneira. E vamos desse modo apontando os dedos, enquanto os magnatas enchem seus bolsos de dinheiro.

O mais curioso disso é que, no final, sabemos, somos nós cada um o monstro. Livrar-nos de nossa ignomínia, preconceito, arrogância, ressentimento e perversidade por completo é impossível. Tudo o que podemos é travar conta eles uma luta sincera, a qual deve mirar uma coletividade aceitável, e não um autopuritanismo fetichista.

Em vista desses fatos, foi que Nietzsche nos alertou: é preciso bailar sobre a moral.

Ou, na linguagem da comuna, abaixo a burguesia.