Memórias de um sobrevivente, por Miller Brito

24/11/2020

Espelho que espelha meus olhos

Por que ocultas a minh'alma?

Procuro razões para manter a carne

viva apesar das fúnebres despedidas.


O plano não era ser engaiolado

Mas ele veio, invisível e letal,

Evidenciando a fragilidade da raça superior.


Ai de nós que somos governados por um néscio.


Eu luto para suportar os lutos sem rituais

E as visitas adiadas visitam a minha consciência.


Já não me importa não me importar com os sonhos

Sou um sobrevivente que perdeu os pilares da vida.

Chorar é um privilégio negado

Sobreviver, sobreviver, sobreviver, esquecer

Mas ainda lembro e sinto a dor de cada partida

Sem despedidas.


Eles ainda me encontram aqui

Mal sabem que eu já fui.




poema originalmente escrito para o blog Escrevendo a Eternidade, e que pode ser encontrado aqui: 

https://www.escrevendoaeternidade.com/2020/11/poema-memorias-de-um-sobrevivente.html?m=1