Manaus, a cidade assassinada, por Victor Leandro

15/01/2021

É preciso deixar registrado. Quatorze de janeiro de dois mil e vinte e um. Este é o dia em que a cidade foi morta por asfixia. À noite, do silêncio das casas, só se viam as lágrimas e o vazio.

Foi um crime premeditado com minúcias. Anos, na verdade décadas de planejamento. Cada governante que passou fez sua parte, porém ainda faltavam os grandes carrascos, que chegaram a partir de 2018. Coube à aparição do vírus selar por completo tal desígnio.

É momento de calar-se? De nenhum modo. De pensar que caímos definitivamente? Impossível. Contudo, faz-se fundamental antes assimilar, atravessar o luto inevitável, para depois ressurgir com força e derrubar todos os algozes, os criminosos do Planalto por primeiro.

Manaus ressurgirá, por certo. Mas hoje no entanto ela morre. Hoje nela há apenas cinza.