Lost Brazil, por Victor Leandro

01/10/2020

O Brasil acabou. Sim, de todas as maneiras. Não há nem mesmo os estigmas exóticos para defini-lo aos estrangeiros. O país do futebol, do samba, da miscigenação, o paraíso perdido, o pulmão do mundo: tudo isso são metáforas superadas, anacrônicas, imagens perdidas na memória dos arquivos de TV. E nem a nostalgia pode recuperar mais esses tempos idos. Estão perdidos para sempre.

E o que fica em seu lugar então? Está aí talvez a pior parte da história. Porque os estereótipos não foram ultrapassados, e sim apenas substituídos por outros, ao gosto do capital. Onde quer que se olhe, a visão é tão somente de uma classe média pedante e mesquinha, hipocritamente encrustada em moralismos e delírios religiosos, exaltando culturas estranhas e chamando-as de progresso. Alegoria deformada do utopismo liberal.

Contudo, a metáfora de Stefan Zweig ainda não se perde, dela algo se aproveita. O Brasil permanece o país do futuro. Porém qual? O tempo passa, e a névoa sobre o porvir começa a evanescer.

Resta disso a imagem de um ocaso, de um declínio, que não é só nosso, mas de todo um modo de vida. Porém há algo depois do fim do túnel.

O Brasil está perdido, e é isso que nos salva.

Depois da barbárie, só existe o socialismo.