Lockdown político, por Victor Leandro

12/05/2020

Está aí uma metáfora que vai longe. A quarentena política é algo que podemos pensar amplamente para definir o trato geral da coisa pública dentro das mais variadas esferas do país.

No amazonas, já são décadas de isolamento social praticado pelos governantes. Alheios ao povo, eles envidaram projetos de poder que inevitavelmente resultaram no abandono da população que, entregue à própria sorte, sempre agonizou açoitada pela doença e pela fome. Contudo, no presente momento, o cenário que encontramos é de reclusão radical. Escondidos, os mandatários tratam de salvar a si aos seus, sem se importar com o que ocorre ao redor e deixando a gestão do estado correr por ela mesma, numa ausência completa de tomada de decisão diretiva. O perfeito vácuo de administração.

Já no âmbito federal, historicamente, houve momentos de normalidade coordenada, mas que, desde 2016, cederam lugar a uma política ultraliberal mortífera, que busca resolver os problemas sociais lançando o povo mais rapidamente para o aniquilamento. A distância intransponível entre o poder e a comunidade tornou-se o novo normal. Quanto às forças armadas, estas se esmeram firmemente em manter as barreiras de contenção, garantindo a continuidade desse estado de coisas.

Nesse cenário de continuado lockdown político, mais uma vez, não há tanto a se colocar na conta do vírus. Este é apenas um detalhe perverso, que mais aparece como uma senha para acelerar processos desde muito antes vigentes.

Já é passada a hora de romper esse confinamento. Que o povo retorne às ruas e aos centros decisórios, este é o único do caminho. Do contrário, tudo o que resta são os hospitais lotados e filas de míseros benefícios. Porém, sabemos, esse é um trabalho que precisa ser realizado com tenacidade, pois nada disso se dará brevemente e sem um grande esforço de organização. A massa habituada a ser exlcluída não sairá do lugar a menos que forças persistentes a levem a uma profunda tomada de consciência. É muito mais rápido se livrar de um vírus do que de um vício. Mas nada disso deve ser motivo para desistir. Tudo que nos cabe é assimilar as dificuldades e seguir adiante. A desesperança é a arma de imobilização propagada pelos ricos. Assim, como contumazes insubordinados, vamos em frente.