Liberalismo, de novo, por Victor Leandro

16/06/2020

Nem bem o mundo começa a se adequar ao cenário pós-pandemia, e os financistas abutres já iniciam sua retomada agressiva do ciclo de especulações, subindo a bolsa e descendo o dólar, deixando claro que já é tempo de lucrar passando por cima dos corpos de quantos sejam.

Mais do que uma cretinice insana, o que eles sinalizam é que o capitalismo liberal, que tem no modo financeirizado e mercadológico a sua casa de força, não está de nenhum modo disposto a ceder sua supremacia em nome de uma pretensa ordem humanitária que pudesse mitigar os problemas sociais surgidos a partir do vírus. Como sempre, a sua lógica é a de que os pobres devem ser entregues em sacrifício a fim de manter ativa sua máquina de fazer dinheiro. E assim desaparece toda e qualquer possibilidade de socorro real aos mais afetados pela crise pandêmica.

Tudo isso, porém, era previsível. Como já foi dito diversas vezes, da crise do capitalismo só pode vir mais capitalismo. Os mortos-vivos liberais continuarão a vagar enquanto não forem extintos. É assim que o mundo anda há pelo menos cinquenta anos.

Imprevisível, no entanto, é a reação das massas oprimidas. Será que suportarão em silêncio mais um ciclo de miséria exploradora? Ou despertarão para a mudança necessária e disruptiva?

De um modo ou de outro, não se pode esperar muito. A destruição pelo capital se aproxima de uma hora irreversível.

Vamos em frente.