Jogo virtual, por Victor Leandro

21/06/2020

Volta o futebol. Mas somente para os que estão diante da tela.

De resto, as cadeiras vazias, ou pior. Milhares de cartazes com rostos antigos, retirados de outra situação. Um meme impresso, uma qualquer mentira para enganar crianças.

Então vem outra ideia. Uma torcida digital. Sim, basta projetar as figuras ao fundo. Os alto-falantes no estádio completam a atmosfera. A falsa plateia grita eufórica em efusivo descompasso. O narrador se anima, e diz. O futebol está cada vez mais assemelhado ao vídeo game. Não deveria ser pelo inverso o motivo de alegria?

Mas o feitiço se trai. Na câmera debaixo, a torcida acaba. Também o som se perde em desalinho. Estão sozinhos os jogadores. Ninguém há que lhes impulse a ir em frente.

A bola entra. Todos veem. Mas a tecnologia falha. Incrédulos, os presentes duvidam do real. Segue o jogo. Só o que vale é o que está no algoritmo.

Apita o árbitro. O virtual venceu de goleada.

No automático, a TV desliga.