Fake política – eleições brasileiras no sertão do real, por Victor Leandro

05/06/2020

Figuramos os fatos. Extraído de seu contexto original, o aforismo wittgeinsteiniano nos remete a uma proposição que diz muito a nosso tempo. Nossas verdades não passam de arremedos de um mundo autêntico. Por mais que nos esforcemos, não há nada que digamos que nos remeta para além de um conjunto de fabulações que em nada têm a ver com as coisas mesmas. Somos contadores de histórias da realidade mal percebida. Essa é a única chave de nosso conhecimento.

Mas, e se isso for realmente tudo o que a humanidade deseja? E se esta estiver tão desgastada frente à procura do real que resolveu voltar-se contra ele, a ponto de toma-lo como sua antinomia, a mais profunda de suas contradições? E se o real estiver a nossa frente, bastando apenas um esticar de mãos para alcança-lo, e somos nós que hesitamos em fazer o movimento, permanecendo com nossas visões tortas e inertes? E se, em vez de estendermos nossos braços para tocar as coisas, nós o tenhamos feito para encobri-las de propósito com fantasias impertinentes? Não deveríamos, então, assumir nossa vocação para mediocridade?


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