bricas de corpos, por Victor Leandro

17/04/2020

No capitalismo, a produção não pode parar. Se não se pode fazer coisas, fabricam-se mortos em escala industrial.

Isso o suposto presidente o enunciou muito bem. Não com consciência, óbvio, mas com seus balbucios guiados por ponto eletrônico. Que todos voltem para as ruas e adoeçam. Os contêineres já se encontram instalados e aguardam por vocês.

O antigo ministro da saúde foi-se. Não prestou o devido culto ao deus-dinheiro. Quis seguir minimamente seu juramento médico, o que é um sacrilégio. Agora, temos um sacerdote do mercado, cuja ordem é lucrar com o comércio da saúde, ou do seu reverso. Isso depende do que trouxer mais dividendos.

Todos no planalto sabem que não haverá recuperação econômica. Já não havia, mesmo com as tratativas normais. Logo, o que podem fazer? Resta-lhes ganhar o seu ajudando bancos e firmando contratos obscuros, além de precarizar ainda mais as leis trabalhistas. E tome chicotada verde-amarela. O fascismo liberal avança. A máquina de moer pobres opera a todo vapor.

No mais, é deixar que desapareça a massa excedente, numa eugenia improvisada e estranha, porém ainda lucrativa.

O capitalismo tem fome e não pode parar. Que se abram valas de sacrifícios em seu nome. Não há produção sem matéria-prima.