Éramos nós, Queiroz, por Victor Leandro

18/06/2020

Entre os associados, a lealdade não é um afeto moral, e sim um código, uma etiqueta de conduta a ser seguida. Não deriva dos juízos do sujeito, e sim do termo de adesão à causa de que se participa, a qual deve ser seguida diligentemente, sob pena de exclusão da ordem atuante.

As circunstâncias da prisão do pretenso amigo do suposto presidente, o já folclórico Queiroz, demonstram bem esse procedimento. É subestimar a inteligência de qualquer um dizer que o clã oficial não sabia de nada. Assim, o que se viu foi uma ação subterrânea para deslumbrar a opinião pública enquanto se cumpria o trato de ajuda, no que o assessor nunca se viu desamparado realmente. Nisso, admite-se. Ninguém pode acusar os chefes de descumprir os pactos tacitamente assumidos.

Porém, as coisas mudaram. A polícia entrou no jogo. Chegamos dessa forma a uma situação-limite. Resta saber agora quem está mais disposto a se manter vivo. Esse é o que entregará o outro.

O contrato está rasgado. A lealdade, qualquer que seja, acabou.

Vejamos quem dará o primeiro tiro.