Eleições em Manaus 2020 – a perspectiva do pior, por Victor Leandro

16/11/2020

Terminaram as eleições municipais em Manaus, mas é como se não tivessem começado ainda. Na verdade, antes não tivessem mesmo, já que muito pouco ou realmente coisa alguma é o que se pôde perceber. De todo modo, convocar o povo às urnas é sempre um bom termômetro para aferir a temperatura do que está ocorrendo.

Segue daí que, numa análise sucinta, os números não são nem um pouco animadores ao campo progressista. Nem tanto pela derrota de José Ricardo, que precisa de fato realizar um intensivo sobre com gerar identidade com o povo e não ser só visto como um bom político, e sim principalmente pelos números totais envolvidos na disputa.

Senão, observemos a votação de dois candidatos que iniciaram inexpressivos, Coronel Menezes e Capitão Alberto Neto. Juntos, ambos somaram quase duzentos mil votos. Mais um pouco, e seria possível dizer que uma eventual união os conduziria ao segundo turno. Some-se a isso a simpatia - de conveniência ou não - dos dois nomes mais votados no pleito pelo ideário conservador, e temos visto um cenário de amplo domínio da extrema direita por essas terras.

Disso, a grande lição a ser extraída pela esquerda é a de que ou ela se revigora, ou permanecerá subtraída. E de nada adianta reclamar sobre o caráter ideologicamente enviesado do eleitor, pois, como bem nos ensina Lênin, quando a opressão avança, é porque certamente os partidos não têm feito a coisa certa.

No mais, resta-nos ver nas próximas semanas a apoteose absurda do vácuo político. Por certo, deve haver algum modo de decidir pelo ruim ou pior, porém o pleito já está encerrado de qualquer maneira. Entre a dor e o nada, a cidade escolheu os dois. Paciência e luta. É o que a partir de amanhã precisa ser exercido para gerarmos um outro momento.