E o vento levou - Borba Gato, por Victor Leandro

12/06/2020

Que nos mostra a imensa estátua do bandeirante erguida em São Paulo? Apenas o que já sabíamos há muito tempo, ou seja, que há uma narrativa fantasiosa armada no país e no mundo e que favorece a visão dos opressores, cujos feitos mais abomináveis são celebrados como imensas conquistas. Dessa maneira, o monumento erigido ali é à falsidade de pseudohistoriadores. Sua versão oficial dos fatos é uma grande mentira.

Ainda assim, a remoção da obra poderia ser dissuadida no caso de algum valor artístico. Mas onde? Por qualquer ângulo que se olhe, a visão que se tem é apenas de um imenso e ridículo Kitsch, muito menos agradável que muitos anões de jardim. Sua partida não causaria perda estética alguma. O Monumento aos Bandeirantes já é uma mentira suportável o suficiente.

As coisas não se dão do mesmo modo com o famoso filme estrelado por Vivian Leigh. Claro, alguém pode questionar que ele é pura indústria cultural, porém é inegável que tenha, por assim dizer, um certo valor enquanto cultura. Logo, por mais mentirosa que seja sua apresentação da negritude, seria um prejuízo deixá-lo relegado à censura. Que se o critique duramente, que se diga às pessoas para não assistir, mas que não se oblitere artificialmente sua relevância por meio de um apagamento forçado e pouco criterioso.

No mais, resta lembrar que a história é feita de verdade e não de mentira. Esta fica apenas para a ficção, que merece ser contestada toda vez que imprime em si uma dominação ideológica, mas que mesmo desse modo deve ser exposta. Que a revolta leve Borba Gato e fique o filme. Assim, ambos só serão vistos por quem quiser experienciar suas histórias fingidas.