E a educação? por Victor Leandro

12/08/2020

Como era de se esperar, o retorno às aulas no Amazonas vem sendo marcado por eventos que denotam a temeridade e o desarrazoado dessa decisão, com registros de professores infectados e também de descumprimento às normas protocolares de segurança sanitária.

Também previsível é a reação do governo, que irresponsavelmente alega que tomou uma medida acertada, chegando ao ponto de - sim, eles fizeram isso - usar dados de estudos na Europa e outras nações totalmente fora de nosso contexto para justificar o retorno precoce, além de afirmar, a despeito dos fatos incontestáveis, que suas obrigações quanto às normas de saúde vêm sendo cumpridas.

Todos esses acontecimentos, todas essas celeumas insolúveis servem muito bem para criar um cenário confuso, que encobre a grande questão que deveria perseverar na volta às aulas no presente momento: para quê?

Ora, a finalidade da escola é educar, fazer os conhecimentos passarem e serem produzidos junto à comunidade. Isso, obviamente, requer condições mínimas para que se alcance o objetivo pretendido, as quais, no presente quadro, são impossíveis de serem atendidas. Que professor consegue lecionar adequadamente tendo que a todo instante preocupar-se com sua saúde e de seus próximos? E que aluno pode concentrar-se diante de tantas distrações provocadas pelas regras que se amontoam sobre eles e ferem o curso normal de seus estudos? Ainda que se empenhem em suplantar essas dificuldades, por certo que não o farão a contento, no que o propósito de estarem ali perde-se inteiramente, deixando em evidência somente o risco de contrair o vírus por uma causa inútil.

Desse modo, e lamentavelmente, a educação volta mais uma vez a realizar-se como uma mera burocracia. De efetivo mesmo, somente os custos milionários dessa empreitada imprudente aos cofres públicos, além dos riscos trazidos ao povo. Mais uma nota zero para o governo. Mais uma lição no caderno preenchida com respostas vazias.