Do que Haruki Murakami me fala quando falo de corridas, por Victor Leandro

14/06/2020

Subindo e descendo a rua deserta, na fantasia de longos percursos.

Claro, é uma grande mentira. Quem corre mesmo é o escritor japonês. Do meu lado, só caminho.

Também porque no início é difícil. Há o cansaço e as cenas se movem. Lentas. O tédio. Duas palavras para pensar em dormir. Elucubrar em literatura, talvez. Que terrível. Tanto ele quanto eu sem o Nobel. Porém com uma profunda de diferença. As ideias embaralham. O tempo passa ridículo.

Mas então o trajeto acaba. Assim outro dia. E depois melhora, e depois anima. Por pouco, quase que é possível sentir uma necessidade, um esboço de falta. Quem sabe os professores estão corretos? A volição se aproxima do vício.

Dessa forma vou. Entusiasta, ensaio uma corrida. Nessa hora, o real me derruba. A máscara esconde uma breve agonia no joelho. Sim, estou muito longe de Murakami. É ele quem escreve e fala de corridas. Eu apenas ando e faço textos impertinentes.

De todo modo, rio. Sempre no fracasso se consegue alguma coisa. O semiesporte valeu pela obra lida.