Decotelli e a mentirocracia, por Victor Leandro

30/06/2020

Não deve surpreender a ninguém o caráter mitômano do novo titular do MEC. Na verdade, nada mais adequado para atuar nesse não-governo. Assim, pouco ou nada sobra a discutir a respeito de coerência. Porém, seu exemplo é didático. Ele diz muita coisa sobre a ideia de sucesso em nosso curioso capitalismo.

A ideologia meritocrática é uma premissa para tolos. A noção de mérito é uma grande exceção e não a regra. Mesmo entre iguais, ela figura apenas como uma ilusão, cuja utilidade é apenas estimular a vontade dos subalternos. Já no plano do real, o que persevera é um conjunto de acasos e falseamentos que define os critérios de ascensão profissional, bem como a disposição em atuar fora das regras não somente morais, mas também no âmbito da legalidade. O mais desonesto, o mais descarado e farsante é o que vence. Aos demais cabe adequarem-se a tais desígnios se pretendem subir.

Isso se nota muito claramente por todos que já frequentaram o mínimo qualquer ambiente hierárquico. Olhando as limitações dos superiores, é comum aos outros perguntarem-se como chegaram a estar onde estão. A resposta, como sempre, pertence a sua capacidade de mentir e bajular os donos do poder.

Se resta alguma novidade no caso do novo ministro, essa está no desvelamento de todas essas normas ocultas que regem a promoção corporativa. A desfaçatez agora é a regra assumida de êxito. Está escancarado o império da mentirocracia.