Debaixo da lâmpada, os pobres, por Victor Leandro

26/06/2020

No Brasil, talvez mais ainda do que em outros lugares, as classes mais pobres sofrem de uma constante visibilidade intermitente, cuja luz sobre eles se ascende e apaga na medida de sua conveniência em especial para a classe política, que assim os explora nos momentos que considera mais lucrativos.

Hoje, por aqui, já se discute e implementa a volta ao trabalho. Mas quem fala em retomada real de emprego e renda? De igual maneira, ignora-se a assistência de saúde à população, e o auxílio emergencial, com os dias contados, vai se convertendo numa minguada ajuda antifamélica. Nenhum plano de longo prazo para melhorar a vida de todos. Nenhuma ideia para retirar da miséria os muitos que assomam as fileiras do alheamento.

Tão grave quanto isso, é a destruição do futuro. Os sistemas de ensino, sem defesa, vão sendo entregues ao modelo pauperizador da educação a distância. Até mesmo nas universidades - no que a UEA provavelmente capitaneie o processo - os estudantes serão submetidos a aulas online sem que lhes sejam dadas as devidas condições. E lá se vai toda uma geração perdida devido à indiferença para com seu acesso ao estudo.

Alguns dirão que sempre foi assim, que a pandemia só piorou as coisas, e que não há horizonte de mudança, o que não é verdadeiro. Mas, ainda que fosse, há formas e formas de ir para o abate, e a passiva é seguramente a pior delas. No mais, o povo em luta terá sempre luz própria, e sua voz não pode ser ignorada de nenhuma maneira. Essa é sua transformação visível. Esse é o único caminho.