De novidade, o nome dos mortos aí escrito, por Victor Leandro

04/02/2021

Inevitável lembrar o título de Remarque. Não há nada de novo. A menos que se chame disso o aprofundamento do que vige. O governo de morte funcionando a pleno vapor. Sabotagem, negligência, bravata, negociatas, corrupção, mentira. Deputados comprados para castigar o povo. Miséria crescendo a galope. Genocídio em curso.

Já no Amazonas, debate-se ainda oxigênio. A incompetência segue, assim como a passividade do legislativo e judiciário. E caos nas ruas, e fome no centro. Interior deixado à própria sorte, enquanto governantes debatem de quem é a culpa, sem se importar de verdade com isso.

E o que dizer de Manaus, onde a vacina é distribuída tranquilamente entre grupos a quem não está destinada? Quanta inação há para manter isso?

Enquanto isso, nós, petrificados, assistimos, cada um a sua maneira. Muitos choram seus mortos. Outros permanecem achando apenas que é a vontade divina, ao tempo em que há também aqueles que não conseguem sair da via pequena, e praticam sua revolta individualista, sem estender a mão ou coletivizar com ninguém. Não aprenderam a deixar de serem ressentidos, nem podem aprender. Mas se acham melhores que os que tratam a catástrofe com indiferença ou como um espetáculo televisivo. Não são.

Não tem nada novo, somente a lápide que se inscreve em mármore ou zinco.

O dia lúgubre da marmota, o abismo vertido e invertido.