Crítica, autocrítica, a esquerda paralisada, a esquerda acrítica, por Victor Leandro

14/07/2020

Primeiramente, é preciso diferenciar a disputa político-partidária da luta revolucionária. Falemos da primeira.

O que ocorre, pois, com a esquerda que não se unifica em projetos comuns? Olhando para os liberais, esta perde feio. Nem mesmo para simples cargos municipais há algum consenso. Somente dispersão. E assim se marcha continuamente para um malogro dirigido.

De todos os lados, o que sobra é o argumento de ser crítico. Até internamente, a chamada autocrítica provoca dissensos problemáticos de corrigir. Contudo, olhando de perto, vê-se que não é nada do que dizem. Apenas ressentimentos subjetivos e estreitezas de interesses. Briga-se por mágoas pessoais e se traveste a rusga de fidelidade à revolução.

No entanto, lendo Lênin, é o contrário dessa desculpa que se ratifica. Está muito clara para ele a diferença. O pragmatismo evidentemente não pode ser descartado. Rompamos as pessoalidades inúteis. Façamos as alianças necessárias. Mantenhamos firme o ideal revolucionário.

Mas é tudo isso que não se permite a falsa criticidade da esquerda, que desperdiça horizontes e momento histórico. Assim, fica ela em constante paralisia, pensando no que deu errado e em como não consegue auxiliar o povo. O tempo passa. O estado de coisas se consolida.

Porém, nas reuniões partidárias, a liderança satisfaz-se com suas certezas. É puro Narciso. Mais vale a ela o delírio do que a autêntica grandeza. Patológico desígnio.